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#TimeMaratonadoRio: Correr faz mal para os joelhos?
Por Equipe Maratona do Rio 12/04/2017

 

Confira o texto do especialista e ortopedista do Time Maratona, Dr. Sérgio Maurício, e tire algumas dúvidas sobre a prática.

 

“As falas e mitos sobre lesões no joelho por conta da corrida existem há muito tempo. Isso faz com que praticantes, treinadores e médicos convivam com diversas opiniões sobre o tema.

Em 2015 foi publicada uma revisão de literatura na Revista Britânica de Medicina do Esporte, mostrando que a corrida não é um esporte que acelera o desgaste dos seus joelhos, doença conhecida como artrose. O estudo reuniu informações de outros 10 artigos. Em 8 deles não houve aumento das chances da doença. Em uma publicação, houve melhora dos sintomas em pacientes com artrose, e em apenas um estudo, feito com maratonistas de elite, as chances de artrose foram aumentadas. Devemos lembrar que esses atletas correm até 200km por semana, com intensidade muito alta, o que está longe de ser a nossa realidade, meros mortais.

No entanto, nenhum dos estudos avaliou em nível molecular o que acontece durante a corrida. No final do ano passado, um novo estudo, feito por pesquisadores de Utah, chegou à uma conclusão interessante. 15 corredores foram avaliados da seguinte forma: foram coletadas amostras de sangue e de líquido sinovial do joelho, através de punção articular. A seguir, eles foram encaminhados à uma esteira, onde correram por 30 minutos na velocidade que desejassem. Foram coletadas também amostras de um grupo controle que permaneceu em repouso durante todo o estudo. Ao fim dos 30 minutos, tanto o grupo que correu quanto o grupo que permaneceu em repouso tiveram as amostras coletadas novamente. O objetivo era medir a quantidade de substâncias inflamatórias dentro e fora da articulação, e avaliar suas variações após o exercício, comparado com o grupo controle.

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Pela dificuldade técnica de puncionar líquido articular do joelho, apenas 6 pessoas tiveram todas as 4 amostras coletadas, havendo poucos indivíduos para a análise. No entanto, todos os corredores apresentaram redução dos mediadores inflamatórios nos joelhos. As taxas da citocina GM-CSF reduziram de uma média de 10.7 para 6.2, assim com a interleucina IL-15, que caiu de uma média de 7.6 para 4.3. Além disso, corredores apresentaram redução das taxas da COMP (cartilage oligomeric matrix protein), proteína em geral elevada nos pacientes com artrose. Essas reduções não foram observadas nos pacientes que permaneceram em repouso.

Apesar da baixa amostra do estudo, ele serve como luz para diversos outros que certamente virão no futuro. A corrida, antigo “vilão” do joelhos, pode na verdade ser um grande mocinho. Cada vez mais artigos mostram que correr não faz mal, e quando bem prescrito, previne inúmeras doenças. O que vejo no consultório, como especialista em joelho, é que pacientes que praticam exercícios apresentam muito menos dores em seus joelhos que os sedentários. Portanto, treine com segurança, bem orientado e não tenha medo da corrida.

Bons treinos!”

Fonte:
1 – Running decreases knee intra-articular cytokine and cartilage oligomeric matrix concentrations: a pilot study. Eur J Appl Physiol. 2016 Dec;116(11-12):2305-2314
2 – Does running protect against knee osteoarthritis? Or promote it? Assessing the current evidence British Journal of Sports Medicine 2015 ; 49 1353-1353
sergio mauricio
Dr. Sérgio Maurício
Ortopedista formado pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e cirurgião de joelho formado pelo Instituto Nacional de Traumatologia e Ortopedia (INTO). Atualmente, é membro da Sociedade Brasileira de Ortopedia e Traumatologia (SBOT), da Sociedade Brasileira de Cirurgia do Joelho (SBCJ), da Sociedade Brasileira de Medicina do Exercício e do Esporte (SBMEE). Nasceu em Corumbá (MS), mas adotou Niterói, no Rio de Janeiro, desde 1990, onde mora e mantém um de seus consultórios. É um amante do esporte desde criança: já nadou, pedalou e praticou artes marciais. A forte paixão por corridas nasceu em 2010, quando cursava residência em ortopedia e tinha muito pouco tempo para se dedicar aos exercícios físicos. Já no ano seguinte, tomou duas importantes decisões: começar a pós-graduação em medicina do esporte e correr uma maratona. De lá para cá não parou mais.

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