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Hermom Dourado
Por Equipe Maratona do Rio 28/06/2017

 

A felicidade de ser coadjuvante.

Desde que comecei a praticar a corrida de rua para valer, no final de 2013, sempre busquei superar os meus limites. O prazer estava diretamente relacionado às quebras de recordes pessoais e às conquistas de novas distâncias.

Em julho de 2014, aproximadamente quatro meses após completar minha primeira prova de 10 km, fui ao Rio de Janeiro com a meta de estrear em uma meia maratona. Ao longo daqueles 21.097,5 metros entre a Praia do Pepê e o Aterro do Flamengo tive a companhia do Walso Guimarães, um primo muito querido que mora na Cidade Maravilhosa e que já havia completado até ultramaratonas, mas teve o gesto nobre de incentivar aquele novato durante todo o perrengue que ele passou naquela manhã. Foram pouco mais de duas horas da mais pura “sofrência” que resultaram em alguns dias mancando, só que também em uma sensação de vitória que deixava todas as dores no corpo sem a menor relevância.

De lá para cá, fui evoluindo no esporte, baixando meus tempos em todas as distâncias e completei três maratonas – uma em 2015 e duas em 2016. Ao concluir a segunda delas, justamente no Rio, fiz minha inscrição para a meia maratona do ano seguinte e também uma para a minha irmã, Gigliane Ferreira Dourado. Foi o presente de aniversário que dei para ela, que chegou aos quarentinha em 2016.

Confesso que naquele momento não estava nos meus planos acompanhá-la durante todo o percurso. Eu queria mais era treinar muito até lá para conseguir superar a marca de 1h40min. O “problema” foi que pouco tempo depois passei no processo seletivo de um mestrado e, desde então, tive que deixar a corrida em segundo plano para me dedicar de corpo e alma ao que tenho chamado de “maratona do conhecimento”.

Pronto. Parei de treinar e já ganhei cerca de 10 quilos. E a corrida no Rio de Janeiro passou a ser a única do meu calendário em 2017. Nas novas circunstâncias seria pretensão demais – e, diria até, estupidez – pensar em meta de tempo. O lance seria curtir ao máximo a prova e simplesmente concluí-la. Por que não fazer pela minha irmã o mesmo que meu primo havia feito por mim três anos atrás?

Pois foi exatamente com este espírito que parti para a largada no último dia 18 de junho. Pau de selfie com celular a postos para registrar em fotos e vídeos para a posteridade os detalhes do percurso, um céu azul maravilhoso o tempo todo nos convidando para um mergulho no mar e uma atmosfera de alegria contagiante ao nosso redor.

Quem ditava o ritmo era a Gigli. Precisava dar uma paradinha para um “pip´s stop”? Sem problema! A paisagem exige uma nova pausa para uns cliques especiais? Bora lá e capricha na pose! As cãibras começaram a castigar demais? Alonga aí durante o tempo que for preciso e não se acanhe em pedir para caminhar um pouco quando estiver difícil correr até em ritmo de trotinho.

E assim fomos nós, os “Dourado´s Runners”, sem preocupação nenhuma com os números que o relógio mostrava. Chegando ao Aterro do Flamengo, percebi a euforia que tomava conta da mais nova meia-maratonista da família. Pensei ser aquilo algo extremamente normal e que ocorre com qualquer corredor que conquista uma nova distância – ainda mais sendo esta a de respeitáveis 21 km, sob um sol causticante.

Apenas dois dias depois, quando li a postagem que ela fez sobre a prova, me dei conta do tamanho daquela conquista para ela: “Tive asma na infância, fiz 25 anos acamada com uma séria hérnia de disco, fiz 30 acamada com erisipela, era sedentária até os 33… Ao me aproximar dos 40, há 3 anos, graças a um convite do meu irmão, decidi que iria começar a correr. Comecei do nada. Planilha de internet e cronômetro de geladeira. Uma volta no quarteirão e já começava uma crise de dispneia… Mas fui em frente.”

O saldo que tiro desta experiência? O de que podemos sim ser plenamente realizados numa conquista alheia. Foi o meu pior tempo em uma meia maratona (cerca de 2h50), mas nunca aproveitei e me diverti tanto numa corrida. Ser coadjuvante é maravilhoso. A grande vitória pessoal é só da minha mana, porém a alegria é compartilhada. A cada dia me apaixono mais por este esporte!

 

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